Será que arvores contam história? Hoje vou te apresentar uma árvore que tem muito o que contar!
Estamos na praça Heliodoro Balbi na década de 1954, mais especificamente no dia 22 de novembro daquele ano quando foi fundado o Clube da Madrugada. O que era esse clube?
Foi o nome dado às reuniões de um conjunto de amigos que tinham por objetivo explanar sobre assuntos relacionados à cultura, poesia e problemas sociais e econômicos enfrentados pela sociedade amazonense e brasileira.
O nome do grupo de seu devido ao fato de as conversas entre os membros do movimento ultrapassarem a noite e se estenderem até as madrugadas estreladas da Praça da Polícia sob o manto desta árvore da foto: o mulateiro.
Eles falavam sobre Poesia, Literatura, Economia, Sociologia, História, Filosofia e muito mais.
O teor dos debates e publicações desse movimento se dava pela influência das áreas de atuação dos membros fundadores como, por exemplo: o professor de literatura portuguesa, Farias de Carvalho; o economista, empresário e professor universitário, Saul Benchimol; o médico psiquiatra e diretor do jornal A Critica, Dr. João Bosco Araújo, dentre inúmeros outros personagens importantes para a formação literária, política e social da nossa cidade.
As produções escritas por esses homens eram publicadas nos jornais que circulavam pela cidade como o Jornal do Comércio ou em uma revista criada pelo próprio clube, intitulada Revista Madrugada I, que inclusive tinha contribuições do querido jornalista e artista plástico Otoni Mesquita.
Antonaccio (1997) afirma que esse clube foi o primeiro movimento literário genuinamente amazonense, visto que até então todos os outros eram feitos por pessoas que não eram naturais do Amazonas.
Os trabalhos do Clube da Madrugada foram interrompidos com o Governo Militar na década de 1960.
Do clube da madrugada saíram influentes personalidades da sociedade amazonense como por exemplo: Luiz Barcellar, Thiago de Mello, Jorge Tufic, Jefferson Péres, Anibal Berça, dentre inúmeros outros.
Imagina uma reunião com todos esses amazonenses debaixo do Mulateiro? Iria sair muitas histórias ne?
Que tal você dar uma passada na Praça da Polícia e ir até essa árvore? Lá existe uma placa comemorativa com algumas informações importantes. Se você for lá medite em como essa árvore é importante para a sociedade amazonense!
Referências Bibliográficas:
ANTONACCIO, Gaiatano Laertes Pereira. Entidades e Monumentos do Amazonas: Fundação, História, Importância. Manaus: Imprensa Oficial, 1997.
SALES, Julio Cesar Santana. Colégio Amazonense Dom Pedro II: uma análise sobre sua relevância histórica e turística para a cidade de Manaus. Manaus: UEA, 2016.
Fotos: Julio Sales