A decisão de construir o prédio para a alfândega data de 1888 e deveria ser edificado na área do Forte de São José da Barra do Rio Negro. No entanto, no lugar da Alfândega foi construído o prédio do antigo Palácio do Tesouro (1890).
O prédio da Alfândega data do início do século XX quando a empresa inglesa Manáos Harbour Limited ganhou a concessão para explorar o porto flutuante da cidade.
A edificação foi concluída em 1908 e inaugurada em 18 de janeiro de 1909.
O prédio da Alfândega de Manaus tem estilo mouriscado com traços romântico, medieval italiano e da renascença primitiva. Contém três andares, cada um diminuindo a altura a cada nível. As portas e janelas do primeiro pavimento são de arco pleno e tanto os arcos quanto a platibanda têm ameias (abertura no parapeito das muralhas de um castelo ou fortaleza para visualizar o inimigo). A edificação é dividida em três corpos, dois laterais e um central ligeiramente proeminente revestidos de alvenaria lisa e cerâmicas de cor caramelo.
Em uma das laterais do prédio ergue-se a guardamoria, uma pequena construção tratada com as mesmas características do prédio principal e contém uma torre de menagem (torre usada para defesa, guarda e até mesmo residência em casos de invasão) que servia como farol.
O prédio principal lembra algumas edificações londrinas dos anos 1900 e alguns palácios italianos como o Palácio Strozzi, em Florença, e o Palácio Publios, em Siena. Já a guardamoria tem referência em dois palácios góticos italianos: o Palácio Público de Montepulciano e o Palácio de Priori em Volterra.
Dentro da alfândega existem duas esculturas de 1,28 m, possivelmente do ano de 1908, e fazem referência ao comércio e à indústria. Também apresenta uma escadaria de ferro fundido localizada na entrada do edifício.
O edifício da Alfândega está localizado na área do Porto de Manaus e faz parte do conjunto arquitetônico que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, em 1987.
Uma curiosidade é que a edificação foi construída em uma área aterrada para a construção do Porto de Manaus. Essa área ficava na confluência de dois igarapés: Remédios e o do Espírito Santo. Talvez por isso o terreno é uma das primeiras regiões que alaga quando o Rio Negro está em níveis muito altos.
Em 2025, o prédio da Alfândega foi cedido à Universidade do Estado do Amazonas que o transformará em centro cultural.
Referência Bibliográfica:
MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.
BRAGA, Robério. Manaus na Palma da Mão. Manaus: Reggo Edições, 2014.