Originalmente com capacidade para 701 lugares, o salão de espetáculos do Teatro Amazonas foi decorado pelo pernambucano Crispim do Amaral. E tem detalhes neoclássicos e barrocos.
O salão tem forma de lira e é composto por um pavimento de plateia, um andar de frisas e três pisos de camarotes.

Ao redor dos camarotes existem 22 colunas de ferro fundido. As colunas das frisas são de ordem jônica e as colunas dos camarotes são de ordem coríntia. Em cada coluna existe um estandarte com nomes de personagens importantes das artes como Mozart, Shakespeare e Rossini. Acima dos nomes existem máscaras do teatro grego.
Durante o período áureo da borracha, os assentos eram classificados segundo o poder aquisitivo: a plateia era o lugar mais barato e quanto mais alto ficava o camarote mais caro era seu valor. Existiam quatro camarotes que eram leiloados para os mais ricos da noite se exibirem junto ao espetáculo.
Com uma visão privilegiada do palco está o camarote do Governador. Feito com mais detalhes e pompa, ele é usado exclusivamente pelo Governador do Estado e seus convidados. Em uma tradição de mais de cem anos!
No palco existem duas telas que servem de cortina e são chamadas de Pano de Boca. Uma faz homenagem ao Encontro das Águas e a outra faz referência ao término da Monarquia e início da República Brasileira.
No teto existem quatro telas pintadas em Paris que fazem alusão à Música, Dança, Tragédia e à Ópera. Dividindo as telas existe um grande X que algumas pessoas dizem fazer alusão as bases da Torre Eiffel em Paris.
No centro do salão existe um belo lustre original suspenso por um cabo de aço que sai de um detalhe arquitetônico chamado Rosácea.
As poltronas não são originais, estas foram feitas no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, encomendadas durante a reforma de 1974.
Imagine como deveria ser esse local repleto de barões! Uma pavulagem só!
Referências Bibliográficas:
MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.
BRAGA, Robério. Manaus na Palma da Mão. Manaus: Reggo Edições, 2014.