Fonte da Matriz

Você vai à missa aos domingos na Igreja da Matriz ou desce na estação de ônibus para ir ao centro comprar aquela roupinha no Bate Palma?

Se você faz isso, com certeza já passou por essa fonte, mas será que já parou para contemplá-la? Você sabe a história dela e o significado de seus detalhes?

O Chafariz da Praça da Matriz é um monumento escultórico feito de ferro fundido e importado de Glasgow, Escócia, pela firma Sun Foudry. Mede 8,20 metros de altura. É dividida em quatro sessões com três bacias (a bacia maior circunda todo o monumento e as outras duas estão no corpo central), essa é, portanto, a maior fonte do centro histórico de Manaus.

O historiador Otoni Mesquita relata que essa fonte já estava nesse local nas intervenções de embelezamento da praça, por ordens de Eduardo Ribeiro, em 1896 (ano da inauguração do Teatro Amazonas).

A fonte é formada por vários elementos arquitetônicos como colunas compósitas e detalhes zoomórficos (desenhos e gravuras que representam animais), fitomórficos (forma de vegetais) e antropomórifos (forma humana). A temática da fonte, assim como as demais da cidade, é mítica com elementos como ninfas, tritões, grifgos e putti (cupidos). Os cupidos estão por todas as partes do monumento.

São tantos detalhes que passam despercebidos e o pior, detalhes que são vandalizados. Há relatos de peças roubadas e, quando fiz essas fotos, havia partes do monumento com tintas respingadas. Sem falar na ausência de sua funcionalidade como chafariz, lixo na bacia principal e total abandono do lugar.

Há alguns anos, a Praça da Matriz foi restaurada, mas é perceptível  que ela já está precisando de novos reparos, seja por ocasiões intemperais ou pelas ações de pessoas que não têm um mínimo de respeito pelo nosso patrimônio histórico. Por favor, não seja um desses!

Que tal você olhar com mais cuidado para esse lugar na próxima vez que for ao centro da cidade?

Foto: Júlio Sales

Referência Bibliográfica:

MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO