O Negro Mais Importante do Amazonas

Me diz, você fica admirado com o Teatro Amazonas, Palácio da Justiça, Ponte Benjamin Constant e outras construções do centro de Manaus?

Deixa-me te apresentar o grande responsável por essas construções: o governador Eduardo Gonçalves Ribeiro (1862-1900).

Natural de São Luís do Maranhão, era engenheiro, militar, escritor, político e bacharel em Ciências Físicas e Matemática.

Veio para o Amazonas com o objetivo de exercer funções militares mas acabou se tornando governador do Estado várias vezes e em seu último mandato fez inúmeras modificações na estrutura de Manaus, esta veio até mesmo se apelidada de: Paris dos Trópicos.

Algumas curiosidades sobre Eduardo Ribeiro:

Foi o primeiro governador Negro do Brasil;

Era conhecido como O Pensador, mesmo nome do jornal que criara;

Sofria de problemas mentais (possivelmente esquizofrenia);

Morreu de forma misteriosa, uns dizem que se suicidou e outros dizem que foi assassinado mas até hoje as fontes não chegam a um consenso;

Ele foi encontrado morto em sua chácara onde hoje é o Hospital Psiquiátrico de Manaus;

A cadeira onde ele foi achado está exposta em um museu que infelizmente está fechado desde a pandemia.

Cruzamento de história:

A Avenida Eduardo Ribeiro (nome do primeiro governador negro e filho de escravo) é cortada pelas ruas 10 de julho e 24 de maio.

  • 10 de julho de 1884 foi o dia que o Amazonas assinou a abolição da escravatura no Estado, quatro anos antes da Lei Áurea.
  • 24 de maio de 1884 foi o dia em que Manaus libertou os escravos, dois meses antes da abolição definitiva pelo Estado do Amazonas.

O busto do Eduardo Ribeiro fica localizado no ponto mais alto da Avenida Eduardo Ribeiro. Ao meu ver uma personalidade tão importante deveria  ter uma estátua em sua homenagem assim como existe a de Tenreiro Aranha.

Fotos: Julio Sales

Referência Bibliográfica:

MESQUITA, Otoni. La Belle Vitrine: Manaus entre dois tempos (1890-1900). 2 ed. Manaus: Editora Valer, 2020.

 

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO