Os Manáos eram a etnia dominante do Rio Negro quando os europeus começaram suas investidas nessa região. No princípio, eles foram aliados dos portugueses na captura de outros indígenas para serem levados como escravizados para Belém.
No entanto, com a morte do Tuxaua Huiebene e a ascensão de seu filho Ajuricaba como novo líder dos Manáos, essa relação de ajuda para os portugueses acaba. De 1722 a 1728 Ajuricaba consegue tomar posse de toda a calha do Rio Negro, saqueando os povoamentos portugueses e recrutando indígenas para se aliarem contra os portugueses e suas tentativas de adentrarem naquele rio
Ajuricaba teve ajuda dos holandeses, o que impulsionou a raiva dos portugueses, pois aqueles queriam também invadir o vale do Rio Negro.
Os Manáos, liderados por Ajuricaba, se tornaram um grande problema para a investida de colonização portuguesa na Amazônia.
Em 1722, o governador geral do Grão-Pará afirmou que os manáos eram bárbaros, cometiam canibalismo, assolavam os povoamentos portugueses, impediam a entrada nos rios, faziam alianças com os holandeses e estavam aprendendo a usar armas.
O Rei de Portugal, temendo perder as terras para os holandeses, aprova em 1728 uma expedição punitiva que foi comandada por Belchior Mendes de Morais. Essa expedição foi dizimando todas as populações indígenas do Rio Negro até as redondezas da cidade de Barcelos.
Foram mortos cerca de 40 mil indígenas, sendo 15 mil somente dos Manáos. Alguns morreram pela força da espada e muitos outros devido às doenças trazidas pelos brancos como a gripe, a varíola e o sarampo.
O último a ser preso foi Ajuricaba com cerca de 300 guerreiros que foram descidos para o Lugar da Barra (Manaus) com o objetivo de serem levados para Belém para serem vendidos como escravos.
Como Tuxaua dos Manáos, Ajuricaba, não quis se submeter ao branco, se rebelou dentro da embarcação que o levava para Belém e pulou no Rio Negro desaparecendo para sempre junto com toda a força da sua nação.
Os restantes dos Manáos foram mortos ou fugiram para o alto rio negro até o rio Orenoco na Venezuela.
Referências Bibliográficas:
NASCIMENTO FIGUEIREDO, Aguinaldo. História do Amazonas. Editora Valer, 2011.
SOUZA, Márcio. Ajuricaba – o caudilho das selvas. São Paulo: Atma, 2021.