Aa Cores de Manaus

Caminhar pelo centro histórico de Manaus é fazer um mergulho em um universo das cores das fachadas dos prédios históricos.

Temos casarões de cor amarelo, ocre, terracota, verde, azul, laranja, branco, salmão e até alguns que são da cor rosa!

Mas você parou para pensar em qual era a cor das construções originais da época da borracha?

Segundo o historiador Otoni Mesquita quando alguém iria fazer um projeto de construção em Manaus, a sua planta e croquis deveriam ser apresentados na cor rosa.

Segundo a arquiteta e urbanista Márcia Honda, devido aos vários estudos e introspecção das fachadas, pode-se chegar à conclusão de que uma das cores mais usadas nas construções da Belle Epoque Manauara eram o Terracota para as paredes, o Ocre para os detalhes e o verde-musgo para as partes de ferro (gradis).

Essas cores são frequentes em prédios restaurados do centro da cidade. O Ocre se destacando nos prédios como o Palácio Rio Negro, Rio Branco, da Justiça e o Terracota em prédios como o da Biblioteca Pública, Mercado Municipal e o Palacete Provincial.

Mas como eram feitas essas tintas? Os materiais usados eram os mesmos do período colonial: água e cal, no entanto agora acrescidas de pigmentos vegetais como anil, pedra hume, óxidos de ferro ou argilas.

Existe uma construção no centro histórico com um revestimento inusitado: pó de pedra Arenito Manaus – o famoso Hotel Cassina.

Será que os casarões eram bem cuidados naquela época?

Segundo a Lei 41 de 23 de agosto de 1901 o proprietário do imóvel era obrigado a manter a fachada da edificação limpa e bem pintada. A manutenção deveria ser feita uma vez a cada biênio ou quando alguém reclamasse sobre o estado da pintura.

A intenção, segundo Otoni Mesquita, era criar uma vitrine, bela, arrumada e aprazível para atrair investidores estrangeiros.

Interessante né? Que tal agora você observar as Cores de Manaus?

Referência Bibliográfica:

CASTRO, Márcia Honda Nascimento. Ecletismo em Manaus Materiais Construtivos e de Revestimento. Manaus: Governo do Estado do Amazonas, 2009.

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO