Ajuricaba era filho do tuxaua Huiebene, um indígena da etnia Manaós que tinha estreitos laços com os portugueses. Ajuricaba não apoiava o seu pai e preferia se comunicar no idioma dos povos indígenas do que em português.
Em 1718, Ajuricaba começou a entrar em conflito com o pai, pois não concordava com a submissão aos portugueses e o uso dos Manáos para capturar indígenas com o objetivo de serem levados como escravos para Belém.
Em 1722, seu pai faz alianças com ingleses e franceses o que gera mais indignação em Ajuricaba e, para não lutar contra seu pai, ele decide deixar sua aldeia e fugir para o Alto Rio Negro, lugar onde muitos jovens manáos, tuxauas e pajés iam se afastar do sistema imposto por Huiebene.
Naquele mesmo ano, os portugueses matam Huiebene e Ajuricaba é feito tuxaua dos Manáos por direito de sangue.
Começa nesse momento a trajetória de luta que iria imortalizar Ajuricaba como herói da Amazônia. Ajuricaba colocou em movimento os seus guerreiros, realizando diversos ataques aos colonos, às fazendas, aos engenhos e até mesmo às malocas de chefes que compactuavam com os portugueses.
Entre 1722 e 1728, Ajuricaba ocupa o rio Negro e ataca todas as povoações portuguesas. Ajuricaba se tornou um grande problema para os portugueses a ponto de a coroa mandar um exército para o capturar. Nesse conflito foram dizimados todos os Manáos da região do Rio Negro.
Em 1728, quando estava com 27 anos, Ajuricaba caiu prisioneiro junto com sete de seus generais e 300 guerreiros manáos. Todos foram levados para a Vila da Barra (cidade de Manaus) sendo transferidos no dia seguinte para Belém com o objetivo de serem escravizados.
Ajuricaba, ferido e quase sem forças, em seu último momento de glória, rebeldia e oposição à feroz imposição portuguesa, se rebela na embarcação que os levava para Belém. O guerreiro pula então nas águas do Rio Amazonas sem deixar rastro de sobrevivência apenas a glória de seu legado de resistência contra os portugueses. Ajuricaba preferiu morrer em sua terra a se tornar escravo dos opressores em terras longínquas.
Referência Bibliográfica:
SOUZA, Márcio. Ajuricaba – o caudilho das selvas. São Paulo: Atma, 2021.