As Pontes de Manaus

Ligar bairros sempre foi uma necessidade de crescimento na cidade de Manaus devido a seus inúmeros igarapés e, por isso, a construção de pontes sempre foi característico da urbe.

O centro de Manaus já contou com a maior parte dessas pontes. No perímetro já existiu sete igarapés (Ribeira, Espírito Santo, Remédios, Bittencourt, Manaus, Mestre Chico, Educandos) três deles aterrados (Ribeira, Espírito Santo, Remédios) e seis pontes (São Vicente – na Ilha de São Vicente; Ponte de Madeira da Rua Municipal – no atual cruzamento das Avenidas Sete de Setembro com Eduardo Ribeiro; Imperatriz – diante da Igreja da Matriz; Glória – na Avenida Floriano Peixoto próximo à Alfândega; Romana I e II – Diante do Palácio Rio Negro e Benjamin Constant, no fim da Avenida Sete de Setembro) sendo que quatro delas já não existem mais. 

Nossa abordagem é acerca de uma dessas pontes que foram demolidas: Ponte da Glória no Igarapé dos Remédios.

A Ponte da Glória ou Ponte dos Remédios, um dos marcos da urbanização de Manaus no tempo do Império, e uma das primeiras construções a utilizar ferro em Manaus, foi projetada pelo engenheiro Alexandre Haag. Suntuosa para o seu tempo, impressionava os visitantes com a estrutura robusta e os detalhes do design em ferro fundido na Europa.

A ponte ligava o bairro dos Remédios ao do Espírito Santo e ao de São Vicente.

Começou a ser construída em 1881 no governo de Alarico José Furtado e foi concluída em 1882 no governo de José Paranaguá. 

Provavelmente, o material empregado nesta obra era inadequado ou de má qualidade, pois em poucos anos ela foi duramente criticada na Assembleia sendo até mesmo chamada pelo deputado Rocha dos Santos como “Ponte de Ferro Velho”. No entanto, ao passar pela cidade, em 1883, Ernesto Mattoso afirma que a ponte era uma elegante construção americana.

Com o aterro do Igarapé dos Remédios, no final do século XIX, a ponte perdeu a finalidade e foi demolida.

Essa ponte ficava na área entre a Praça Tenreiro Aranha, Alfândega e o Pavilhão Universal na Praça Adalberto Vale.

Gostou dessas curiosidades?

Referências Bibliográficas:

MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.

GARCIA, Etelvina. Manaus Referências da História. Manaus: Norma Editora, 2012.

RELACIONADOS
MAIS CATEGORIAS

A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO