Centro Cultural Palácio da Justiça

Inaugurado, provavelmente, em 12 de junho de 1900 é um dos grandes palácios de Manaus e serviu por muitos anos como sede do poder judiciário do Estado do Amazonas.

Foi idealizado pelo governador Eduardo Ribeiro em 1893 e sua obra iniciou em 1894. O prédio foi construído para abrigar o Poder Judiciário do Amazonas, visto que até o momento todos os processos tinham que ser resolvidos e encaminhados para o estado do Pará

O Palácio tem estilo Eclético e mescla o Renascentista, Neoclássico e o Barroco. O edifício é composto por cinco corpos, sendo o central e os extremos um pouco mais proeminentes. O corpo central é formado por um pórtico com quatro colunas e duas pilastras em cada um dos andares, sendo as do primeiro pavimento de ordem toscana e as do segundo de ordem compósita.

Assim como os demais prédios da cidade de Manaus, obedecendo ao código de posturas, o Palácio da Justiça apresenta platibanda, neste caso, feitas de balaustradas. 

Talvez seja a construção mais bem decorada do centro histórico rica em estuques, pinturas marmorizadas, relevos decorativos, elementos de ferro fundido, mascarões e cariátides.

O prédio é ladeado por um muro de Arenito Manaus, o mesmo usado nos muros do Teatro Amazonas, sendo um dos poucos materiais da região de Manaus usados na obra.

Tombado como Patrimônio histórico do Estado em 1980.

Todos os móveis do palácio foram feitos na Marcenaria Brasileira no Rio de Janeiro e transportados para Manaus em barco vapor.

O mármore das colunas, escadarias e calçada externas foram importados de Lisboa, bem como a majestosa escadaria de ferro fundido no hall de entrada. Os portões de ferro foram importados de Glasgow, Escócia.

O Palácio da Justiça funcionou como sede do Poder Judiciário do Amazonas de 1900 até 2005 e nele foram julgados casos que entraram para a história do Amazonas como o Delmo.

Em 2006 foi transformado em Centro Cultural e hoje abriga museus, exposições, galerias de artes, salas para ensaios de coral e orquestra, dentre outras atividades culturais.

Fotos: Julio Sales

Curiosidades:

No topo do prédio existe a representação da deusa Themis, símbolo greco-romano da justiça e lei eterna;

O prédio já foi pintado de algumas cores como o azul claro;

Até hoje o tribunal do júri é utilizado por alunos dos cursos de direito da cidade de Manaus para aulas práticas;

Existe uma imagem de Jesus crucificado no salão do júri. Tal imagem foi retirada do prédio em um período que estavam fazendo separação entre Igreja e Estado, no entanto em 1909 a imagem voltou ao tribunal e permanece lá até os dias de hoje.

Referências Bibliográficas:

BRAGA, Robério. Manaus na palma da mão. 1° Ed. Manaus: Reggo Edições, 2014.

MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.

Fotos: Julio Sales

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO