Entre ruas e igarapés

Manaus surgiu às margens do Rio Negro e entrecortada por inúmeros igarapés. Igarapés esses que a princípio abasteciam os moradores do conglomerado urbano. 

No início a relação entre moradores e igarapés era de convício harmonioso. Até mesmo existiam leis para impedir a derrubada de mata ciliar. No entanto essa relação mudou no final do século XIX quando se queriam transformar a pacata aldeia em uma cidade europeia. 

Quais foram as primeiras ações daquela sociedade? Aterrar os igarapés que passaram a serem vistos como inimigos da modernidade e da saúde, visto que eram focos de criação de mosquitos como a malária.

Existiam três igarapés no perímetro urbano: o Igarapé da Ribeira, o Igarapé do Espírito Santo e o Igarapé dos Remédios. Esses igarapés dividiam a cidade em quatro bairros: Bairro de São Vicente, onde hoje se encontra o Mirante Lucia Almeida; Bairro do Espírito Santo, onde se encontra a Igreja da Matriz; Bairro de Nova República onde hoje existe o Bate Palma e a Praça da Polícia e o Bairro dos Remédios onde fica a Igreja dos Remédios e o Mercado.

O primeiro a ser aterrado foi o Igarapé da Ribeira para dar lugar às áreas como a região onde hoje se encontra o Terminal da Matriz

O segundo igarapé a ser aterrado e canalizado foi o Igarapé do Espírito Santo para dar lugar a Avenida do Palácio, que ficou pronta em 1905 e, hoje se chama Avenida Eduardo Ribeiro.

O terceiro, e mais problemático, igarapé a ser aterrado foi o Igarapé dos Remédios que depois de quase 30 anos se transformou na Avenida Getúlio Vargas.

Os ingleses, responsáveis pelas obras de infraestrutura da Cidade de Manáos, construíram quilômetros de galerias pluviais onde existiam os igarapés para canalizá-los e receber o esgoto da cidade. Essas tubulações existem nas avenidas Eduardo Ribeiro, Getúlio Vargas, Floreado Peixoto e área portuária. 

Também existiam pontes onde hoje são as Avenidas Eduardo Ribeiro e Floriano Peixoto. Eram as pontes da Imperatriz e a Ponte da Glória.

Interessante né? Agora você já sabe por que essas áreas alagam quando chove muito. Nada mais é do que a natureza ocupando seu devido lugar!

Referência Bibliográfica:

SALES, Julio Cesar Santana. Colégio Amazonense Dom Pedro II: uma análise sobre sua relevância histórica e turística para a cidade de Manaus. Manaus: UEA, 2016.

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO