Estilos arquitetônicos de Manaus

Desde os primórdios, Manaus sempre teve uma tendência em ser uma cidade eclética. A mistura entre os povos que aqui vieram para formar as gênesis da cidade é uma prova disso: o negro, o branco e o indígena.

Mas o que falar das construções? Eram essa mistura também? 

Grande parte das construções que existem até hoje no centro histórico de Manaus foram erguidas durante o período áureo da borracha.

Ao descrever Manaus no início do século XX, o escritor Euclides da Cunha afirmou que a cidade era “meio caipira, meio europeia” e teve a impressão que Manaus era uma “maloca transformada em Gand”. Outro escritor disse que Manaus parecia “postiça”, com efeitos cenográficos que contrastavam com a paisagem natural.  

Manaus era uma mescla de vários estilos arquitetônicos que foram sendo adotados nas construções durante aquele período. Vamos listar quatro desses estilos e alguns de seus representantes arquitetônicos erguidos na cidade.

1 – Prédios Neoclássicos e Neorrenascentistas: Construções em traços franceses e italianos. Matriz de Nossa Senhora da Conceição (1858-1878); Prefeitura Municipal de Manaus (1874-1884); Colégio Amazonense Dom Pedro II (1881-1886); Instituto Benjamin Constant (1884); Palácio da Justiça (1894-1901); Alfândega (1906-1909) Igreja dos Remédios (1900); Biblioteca Pública (1904-1907); Hospital Beneficente Portuguesa (1900-1940).

2 – Prédios Medievalistas: Exemplares com arquitetura românica, gótica e neoárabe. Capela do Cemitério São João Batista (1906); Reservatório da Castelhana (1880); Fachada do Mercado Adolpho Lisboa, voltada para o Rio Negro (1883); Igreja de São Sebastião (1888).

3 – Prédios Ecléticos: Edificações que mesclam detalhes de vários estilos. Penitenciária do Estado (1904-1906); Mercado Adolpho Lisboa, fachada para a rua dos Barés (1906); Palacete Eduardo Ribeiro (1901); Fachada do Teatro Amazonas (1893); Palácio Rio Negro (1900); Palacete Miranda Correia.

4 – Arquitetura de Ferro: Ponte dos Remédios (1881); Pavilhões do Mercado Adolpho Lisboa (1880-1910); Coreto da Praça Dom Pedro II (1880); Armazém do Porto (1900); Coreto da Praça Heliodoro Balbi (1906), além de toda as estruturas e detalhes arquitetônicos mesclados nas construções.

Notamos, por tanto, a tendência eclética do centro histórico com edificações que são representantes dos principais estilos arquitetônicos existentes na Europa.                               

Referência Bibliográfica:

MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.

Fotos: Julio Sales

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO