Uma das maiores preocupações no período Belle Époque em Manaus eram as fachadas dos prédios. Tinha que ser tudo suntuoso. Havia até mesmo leis que ditavam quais detalhes arquitetônicos deveriam estar presentes nas fachadas das casas na cidade. E não foi diferente no caso do Teatro Amazonas, a casa de ópera de Manaus.
O governador em exercício na retomada das obras do Teatro foi Eduardo Ribeiro, visionário e engenheiro, queria algo marcante para o Teatro. No entanto pouco se sabe sobre quem foi a pessoa responsável pela elaboração da fachada original do edifício.
Sabe-se que a autoria do projeto do Teatro Amazonas, como um todo, foi do Gabinete de Arquitetura e Engenharia Civil de Lisboa em 1882. No entanto, grande parte das obras só foram reiniciadas em 1893, quase 10 anos depois.
A planta da fachada naquele ano (1893), publicada no Álbum The City of Manáos and the Country of Rubber Trees, era de autoria de Crispim do Amaral, pernambucano contratado para a decoração da casa de ópera. Nesta planta é possível observar a semelhança com a atual fachada, exceto pela presença de alguns elementos decorativos em cima da platibanda (duas liras com decorações vegetais) e do frontão (três figuras humanas). Tais elementos não foram colocados na fachada talvez por motivos estéticos ou de segurança.
Os detalhes arquitetônicos da atual fachada do Teatro Amazonas são a mescla de vários estilos: o frontão curvo do barroco, colunas e simetria do classicismo e o eclético da cúpula.
Lembrando que o Teatro Amazonas, devido a sua relevante história, poderá ser declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Referência Bibliográfica:
MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.