Hoje todos nós temos o conforto da energia elétrica em Manaus para a iluminação pública e outros benefícios. Mas como a cidade era iluminada há 200 anos?
Durante a Província no Amazonas os presidentes reservaram grande parte de seus relatórios para tratar da necessidade de implementar um sistema de iluminação pública eficiente visto que o sistema daquela época era péssimo.
Em 1819 era empregado o óleo de tartaruga de pior qualidade para a iluminação pública e o historiador Mário Ypiranga Monteiro relata que além do óleo de tartaruga era utilizado também a banha de peixe-boi como azeite de iluminação.
Em 1856 foram comprados 26 lampiões para serem usados na iluminação pública que foi considerada “péssima e inteiramente inútil” deixando as ruas da cidade em completa escuridão. Já em 1872 o número de lampiões subiu para 110 e eram abastecidos por querosene.
A cidade de Manaus passou um bom tempo tendo problemas com a iluminação pública devido a ineficiência do sistema, empresas más geridas e empasses jurídicos. Relata-se que por problemas de ordem jurídica o responsável pela iluminação pública mandou retirar todos os lampiões deixando a cidade as escuras por quatro dias!
Depois do querosene buscou-se outras tecnologias como o gás carbônico e o gás globo mas também não deve bom sucesso e organização.
Encerra-se o período provincial e o sistema de iluminação pública ainda era insuficiente para atender toda a cidade.
Nos primeiros anos republicanos as noites em Manaus eram iluminadas a luz de nafta que era um derivado do petróleo. No entanto buscavam-se novas tecnologias como a iluminação elétrica que já estava sendo utilizada na Europa.
Com o crescimento da economia da borracha, os recursos ficaram abundantes e novas tecnologias, finalmente conseguiram inaugurar o sistema de iluminação elétrica em Manaus no dia 22 de outubro de 1896 tornando Manaus uma das primeiras cidades no Brasil a ser iluminada com eletricidade.
Relata-se que, por volta de 1900, Manaus era bem mais iluminada por eletricidade do que a cidade de Paris na França. No entanto o sistema ainda não era suficiente e as áreas mais abastardas ainda eram iluminadas por querosene.
No auge do período da borracha, em 1910, mesmo disfrutando da mais moderna tecnologia de iluminação o sistema ainda não era totalmente satisfatório, no entanto, conferia a cidade de Manaus status de modernidade!
Referência Bibliográfica:
MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.
Fotos: Julio Sales