O fim das nossas origens

Quando os europeus chegaram na confluência dos rios Negro e Solimões, em 1542, essa região era densamente povoada por inúmeras etnias indígenas como os Manáos, os Barés e os Tarumã

No entanto esses povos viram suas vidas e terras em risco quando tais europeus resolveram se intitular donos da terra. O resultado: morte de quem realmente era dono do lugar.

Primeiro dizimaram os Tupinambás no Maranhão e norte do Pará, depois os Tapajós no oeste do Pará, logo em seguida os Muras no Rio Madeira e, quase 200 anos depois do “descobrimento” do Rio Negro, os invasores chegaram por essas bandas.

Os Tarumãs foram os primeiros povos a se submeterem à Igreja e aos europeus deixando suas terras e migrando até a área do Forte de São José. Eles sofreram Guerra Justa, e por fim foram extintos sendo os últimos 150 indivíduos encontrados na Guiana Inglesa em 1916.

Os Barés também tiveram o mesmo destino dos Tarumãs: dizimados de suas terras os sobreviventes tirarem que fugir para longe. A última vez que os avistaram foi no rio Orenoco, na Venezuela.

A maior população a sofrer com a invasão portuguesa foram os Manáos. Acredita-se que no grande confronto, em 1729, cerca de 300 malocas foram incendiadas, 15 mil indígenas (entre crianças,  idosos e mulheres) foram assassinados e 2 mil guerreiros foram presos, junto com Ajuricaba, e transferidos para Belém com o objetivo de serem escravizados.

Em 1757, os sobreviventes dos Manáos, fizeram outra rebelião e foram novamente derrotados. A última vez que os Manáos foram vistos foi em 1819 no rio Padauiri e depois disso eles sumiram para sempre.

Esses povos são o exemplo do etnocídio ocorrido na Amazônia com a chegada da “cruz e da espada”, pois, quando o argumento de “salvação cristã” não surgia efeito a pólvora e o fio da espada entravam em ação para garantir a presença portuguesa.

O etnocídio dos povos indígenas ocorreu devido à repressão armada, doenças trazidas pelos europeus, escravidão e desorganização de sua estrutura produtiva, cultural e religiosa.

Referência Bibliográfica:

NASCIMENTO FIGUEIREDO, Aguinaldo. História do Amazonas. Editora Valer, 2011.

Foto criada por IA a partir da gravura Índios da Amazônia adorando o deus sol de François August Biard disponível no livro Ajuricaba o Caudilho das Selvas do antropólogo Marcio Souza.

RELACIONADOS
MAIS CATEGORIAS

A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO