Típicos de filmes e novelas do início do século XX, os bondinhos elétricos foram um dos mais importantes meios de transportes revolucionários daquele período em várias partes do mundo.
Em Manaus a ideia de se instalar um sistema de bondinhos data de 1882 quando foi aprovada uma lei que autorizava o presidente da província do Amazonas a contratar uma empresa para a instalação de um sistema de carros americanos sobre trilhos, os railways.
No entanto, devido as condições topográficas da cidade que precisaria de nivelamento, o surgimento de interessados no serviço, os altos custos e a liberação de recursos necessários, o processo de implementação demorou alguns anos. Até o período da borracha na gestão de Eduardo Ribeiro, em 1893, ainda não se tinha implementado o sistema visto que naquela época estava ocorrendo o nivelamento do relevo da cidade para a implementação do sistema viário. O governador pedia urgência para a instalação dos bondes em Manaus porque acreditava que futuramente isso traria grandes benefícios para a cidade.
O sistema de bondinhos foi inaugurado em Manaus no dia 1° de março de 1896 (mesmo ano da inauguração do Teatro Amazonas). O sistema era composto por dez carros para passageiros e vinte e cinco carros para transporte de mercadorias e encomenda. O serviço se estendia por 16 km com duas estações e quatro paradas. Os carros eram movidos a vapor.
Em 1900 os jornais da época vinculavam notícias do péssimo serviço oferecido pelos bondinhos que estavam sempre atrasados e que dispunham somente de seis carros.
Em 1903 foi implementado o sistema de bondinhos elétricos. Em 1906 dois sanitárias paulistas afirmaram que o sistema de bondinhos elétricos de Manaus era tão eficiente quando o paulistano, que na época era considerado o melhor do Brasil.
Esse sistema de transporte coletivo foi o único em operação em Manaus até os anos de 1936.
Hoje o que se restam são fotos desse período, uma réplica de um bondinho no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, um banco no Museu Casa Eduardo Ribeiro e os trilhos sob o asfalto.
E você, queria ter tido a experiência de andar de bondinho elétrico?
Referência Bibliográfica:
MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.