Os Putti do Largo

Você já reparou que em monumentos e prédios históricos sempre existem esculturas ou pinturas de garotos gordinhos nus? Esses são os famosos Putti.

Putti é a forma plural de putto (do latim putus ou do italiano puttus e quer dizer: menino), um termo que, no campo das artes, refere-se a pinturas ou esculturas de um menino gordinho e nu, representado às vezes com asas, derivando da figura mitológica grega do cupido jovem, símbolo do amor e da pureza. 

Os putti são seculares e representam uma paixão não-religiosa. No período dos séculos XVI e XVII, infantes alados eram universalmente entendidos na arte como representações de deuses do amor ou cupidos. Mas durante o período Barroco, a figura do putto ressurge para representar a onipresença de Deus.

A representação dos putti, remonta ao século II d.C., comum nos sarcófagos italianos, quando Roma era o principal centro de produção, na parte ocidental do império, iniciando por volta de 110–120 d.C.. 

Muitos desses sarcófagos, além da figura dos putti, trazem guirlandas de frutas e folhas esculpidas.

Posteriormente, os putti, foram encontrados na iconografia do espaço litúrgico cristão, representados na arte religiosa e secular na Itália, a partir de 1420; na virada do século XVI, na Holanda e Alemanha; no período maneirista e renascença tardia, na França e presentes durante todo período barroco nas pinturas, esculturas e também na talha dourada dos retábulos em Portugal e no Brasil.

O monumento de Abertura dos Portos foi produzido na Itália, em 1900, com estilo barroco e contém quatro putti em cima de quatro barcas que compõem a simbologia aos quatro continentes com os quais os produtos amazônicos poderiam ser comercializados: América, Ásia, África e Europa. O putto da África está segurando uma preza de elefante, o da Europa segura um globo, o da Ásia segura um pote com fogo e o da América segura tabaco.

Existem representações de putti também no Salão Nobre do Teatro Amazonas e nos chafarizes das praças da Matriz e Dom Pedro II e no monumento de Tenreiro Aranha.

Referência:

BORGES, Silvana. O estudo iconográfico dos Putti na restauração da Igreja Matriz da Freguesia do Ó. Disponível em: https://revistarestauro.com.br/o-estudo-iconografico-dos-putti-na-restauracao-da-igreja-matriz-da-freguesia-do-o/. Acesso em: 25 de março de 2023.

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO