Pedra Lioz

Você já reparou que nas calçadas das principais ruas do centro de Manaus e nas escadarias do Teatro Amazonas existem grandes blocos de pedras da cor bege? Sabe o que são essas pedras e de onde vem? 

Extraída da região de Lisboa em Portugal, a Pedra Lioz é uma rocha sedimentar, calcítica, microcristalina que se formou no período Jurássico (200 e 146 milhões de anos atrás) quando a região de Lisboa estava sob o mar. A rocha é composta principalmente por fragmentos (fósseis) de conchas, detritos calcários e de organismos marinhos. 

A pedra tem uma coloração bege e avermelhada e é conhecida por sua aparência estética, pela sua durabilidade e também resistência à erosão. Essa rocha começou a ser usada em construções de Castelos, Igrejas e fortificações no século XII em Portugal e foram importadas para Manaus durante o período da Borracha (século XIX) para serem usadas em construções importantes e na pavimentação de calçadas.

No Brasil essa rocha é encontrada em centros históricos como no Rio de Janeiro, e Maranhão.  Era importada de Portugal desde século XVI como lastro de embarcações para serem utilizadas em elementos estruturais.

Na textura da pedra é possível encontrar algumas “manchas”, essas manchas nada mais são do que fósseis! E da época dos Dinossauros! Isso mesmo, nessas rochas podemos encontrar alguns fósseis como as rudistas (moluscos) que viviam em ambientes de água quente, tropicais.

Especialmente as Pedras de Lioz das escadarias do Teatro Amazonas é possível encontrar bioclastos (esqueletos de fósseis) de bivalves (mexilhões e ostras) da família Caprinulidae e Radiolilidae, Gastrópodes (caramujos, caracóis e lesmas) das famílias Nerineidae e fósseis do Icnogênero Thalassinoides.

Interessante né? Agora sabendo que Manaus está inserida no contexto geológico mundial com rochas jurássicas de Portugal, que tal caçar fósseis por ai?

Ao andar pelas calçadas ou escadarias de pedras de Lioz observem as “manchas” e notem os fósseis encontrados nas pedras.

Lembre-se: essas rochas fazem parte do nosso patrimônio, então não leve para casa ou quebrem elas! Apenas tirem fotos dos fósseis que encontrar!

Referências Bibliográficas:

LAMA, Eliane Aparecida del (org). Patrimônio em Pedra. São Paulo: Instituto de Geociência da USP, 2021.

SALVADOR, David Richter. Tendo em conta aspetos geológicos o que faz de Lisboa, Lisboa?. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2023.

Fotos: Julio Sales

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO