O Salão Nobre do Teatro Amazonas foi idealizado pelo italiano Domenico de Angelis tendo suas obras iniciadas em 1897 e concluídas em 1900. O local apresenta estilo italianizante e rococó.
O espaço é composto por um piso feito de marchetaria com 12 mil peças de madeiras mogno, carvalho, nogueira e bordo, como se fosse um imenso quebra-cabeças representando as folhas secas da Amazônia.
Ao redor do salão existem 16 colunas feitas de ferro e revestidas de gesso para imitar mármore. Entre as colunas há lustres de cristal de murano.
Nas paredes são utilizados 8 panos pintados com temática amazônica para dar um ar de regionalidade ao salão. As pinturas retratam uma ponte, garças, esquilos, tucanos, onça e a capivara, vaso de flores, um regatão, borboletas e a maior de todas, faz referência à última cena da ópera O Guarani, onde o indígena Peri salva sua amada Ceci de um incêndio.
No salão, também existem oito bustos em gesso retratando artistas brasileiros, cujos nomes são: José Maurício, Gonçalves Dias, Domingos J.G, José de Alencar, Carlos Gomes, J.M de Macedo, Henrique Gurjão e Martins Pena.
Logo acima encontra-se o mezanino onde os músicos ficavam alegrando a noite. Esse ambiente é escuro pois o objetivo era apenas ouvir as músicas e não notar a presença desses artistas. O mezanino é rodeado por arcos decorados com putti (meninos/cupido) e folhas de ouro.
Em destaque no teto temos a grande pintura intitulada a Glorificação das Belas Artes na Amazônia, simbolizando as Musas das artes gregas chegando na Amazônia sob a orientação da deusa Glória. Essa pintura de forro é a segunda no Brasil a ser feita com temática profana.

E assim montamos o cenário do Salão: as deusas (arte) descendo do céu sobre a Amazônia. Ao redor do salão há colunas representando as árvores, nas paredes cenas amazônicas e, no chão, um piso simbolizando as folhas secas.
O local também conta com dois espelhos laterais que dão a sensação de amplitude, mármores franceses nas portas, mobiliários originais feitos pela Marcenaria Brasileira no Rio de Janeiro e as famosas escarradeiras usadas pelos barões que mascavam tabaco.
Que tal fazer uma visita a esse salão e se sentir um (a) legítimo (a) Barão ou Baronesa da Borracha?
Referência Bibliográfica:
MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus: Editora Valer, 2019.
BRAGA, Robério. Manaus na Palma da Mão. Manaus: Reggo Edições, 2014.