Uma Praça ou um Cemitério?

Você sabia que parte do centro histórico de Manaus foi construído em cima de um cemitério indígena?

O cemitério existe em toda a região da Praça Dom Pedro II.

O Sítio Arqueológico Manaus foi devidamente registrado em 1960. Mas há relatos de achados arqueológicos ainda no século XIX.

Em uma intervenção na Praça Dom Pedro II, no início dos anos 2000, durante obras de restauro do centro histórico de Manaus pelo Programa Monumenta, foram achadas três urnas e diversos artefatos arqueológicos, por isso as obras tiveram de ser paralisadas.

Em um documento enviado por uma liderança indígena para o IPHAN, os pajés gostariam que não fossem retiradas as urnas funerárias do local e que fosse feito um museu e memorial indígena na área.

Segundo os pajés, os restos encontrados na Praça Dom Pedro II provavelmente são dos povos Jurupixuna, que habitavam a região há mais de 1,5 mil anos.

Em 2002, foram realizadas escavações na Praça Dom Pedro II onde foram encontradas urnas e cerâmicas catalogadas como sendo da Fase Paredão datadas do século X d.c, especificamente de 100 a 800 d.c.

A Praça Dom Pedro II é classificada como Jardim Histórico.

Para o trabalho de estudo dos artefatos encontrados na praça foi contratado o arqueólogo Eduardo Goés Neves junto com o departamento de Arqueologia do Museu Amazônico.

A primeira urna foi encontrada às 16:00 do dia 06 de abril de 2003 ao lado de uma seringueira. A segunda urna foi encontrada em junho e a terceira em setembro de 2003.

  As urnas estavam cerca de 30 cm sob o solo. Elas começaram a rachar devido à mudança de temperatura, pois agora estavam em contato com o sol depois de mais de 1 mil anos! Dentro de algumas urnas foram encontrados ossos humanos e em uma delas havia dois crânios.

Para a retirada das urnas foi necessário realizar rituais de pajelança em memória dos indígenas enterrados.

Atualmente, na praça, existem algumas placas explicativas sobre o sítio arqueológico existente no local. 

Há também círculos no chão simbolizando que embaixo contém uma urna.

Interessante né!

E então,  o lugar é uma Praça ou Cemitério?

Referência:

Informações retiradas de documentos do projeto Arqueurbs.

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A recuperação da memória leva ao conhecimento do patrimônio e este a sua valorização por parte dos próprios habitantes. Um monumento ou prédio dificilmente será objeto de vandalismo por alguém que conhece seu significado, que conhece o que representa para sua própria história como cidadão.

– MARGARITA BARRETO